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Essa é pro Donato.

Escrito por Senhorita H. às 00h38
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"Ele deu licença e ela passou, assim mesmo, sem pretensão. Poderia um esbarrão ter raciocinado o segundo? Se bem que quase nunca há salvação, mesmo os lugares comuns, o costumeiro vagão de metrô, chiclete de canela, se esquecem conforme o tempo passa. E esquecidos não podem mais amuletar o rotineiro. Talvez se ele sorrisse, ela sorriria e... não. Se ela sorrisse ele esbarraria, talvez? Se o apito já soasse poderia até derrubar as sacolas dele, mas era o vazio que... não. Acontece que ela não era animada. Ele estava ali tontinho à toa. Eu nem queria dizer nada mesmo..."
Escrito por Senhorita H. às 23h50
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Um Drummondizinho pra você:
Nalgum lugar faz-se esse homem...
Contra a vontade dos pais ele nasce,
contra a astúcia da medicina ele cresce,
e ama, contra a amargura da política.
Não lhe convém o débil nome de filho,
pois só a nós mesmos podemos gerar,
e esse nega, sorrindo, a escura fonte.
Irmão lhe chamaria, mas irmão
por quê, se a vida nova
se nutre de outros sais, que não sabemos?
Ele é seu próprio irmão, no dia vasto,
na vasta integração das formas puras,
sublime arrolamento de contrários
enlaçados por fim.
Meu retrato futuro, como te amo,
e mineralmente te pressinto, e sinto
quanto estás longe de nosso vão desenho
e de nossas roucas onomatopéias...
Escrito por Senhorita H. às 00h26
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"e se os germes (assim como o orkut) forem uma invenção da NASA?"
Escrito por Senhorita H. às 23h54
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"De todo modo, ficou surpreso de que justamente esse Imre Greiner se casasse com ela, justamente com essa Anna Fazekas, com quem uma vez caminhara na ilha, a garota que por um instante se voltou para ele à meia-luz, como se quisesse dizer algo. Mas ficara em silêncio. E agora jazia sobre sua mesa a documentação da senhora Imre Greiner, nascida Anna Fazekas. ´É o jogo da vida´, pensou distraído; e deu uma risadinha sarcástica, como se ele se reprovasse a constatação trivial."
Divórcio em Buda, de Sándor Márai.
Escrito por Senhorita H. às 22h46
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" O longo período de noivado foi caracterizado por essa vontade de falar cheia de curiosidade e ânsia, que se estendia noite adentro. Como se o corpo estivesse silenciado enquanto duas almas se revelavam com sinceridade decidida e inquieta. Raramente se beijavam, e na maioria das vezes, depois de um início desajeitado e tímido, paravam assustados. Beijavam-se mais por obrigação, como quem sente que as tentativas de aproximação física fazem parte da condição oficial em que a ordem do mundo os encaixou, assim como terem de usar anel de noivado de ouro, escolher móveis, mas o tempo de se conhecer fisicamente ainda não tinha chegado, e não era certo que isso se daria logo depois do casamento. "
Divórcio em Buda, de Sándor Márai.
Escrito por Senhorita H. às 22h42
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"Agora até o conhecido é novo para ele, como se nunca tivesse prestado realmente atenção na forma de uma mesa ou cadeira. ´Se tudo for destruído´, pensa com ironia, porque abomina esses exageros, esse pânico de fim de mundo, ´e tivermos de começar tudo do começo, nas cavernas, onde nos refugiaremos dos gases venenosos, provavelmente não saberei fazer uma mesa ou os pés de uma cadeira; e se, por exemplo, os marceneiros desaparecerem, então teremos de sentar na terra nua ou nas pedras... Também não sei consertar uma campainha. Não sei fazer um tapete. Não entendo nada dessa civilização.´ Mas por enquanto essa civilização nos abriga e nos proteje; a lâmpada está acesa, espalha uma luz artificial, o jornal da noite jaz sobre a mesa, com suas manchetes garrafais... Lá dentro os mais jovens pararam de ouvir aquela música inadequada para dançar; através de uma janela se difunde uma melodia ingenuamente festiva."
"Divórcio em Buda", de Sándor Márai.
Escrito por Senhorita H. às 22h37
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nós somos tão íntimos; que você é o maior estranho que eu nunca conhecerei.
Escrito por Senhorita H. às 17h12
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